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FILIADO

  
 

ARTIGO/DIRETORES DO SINTTEL-SC
Carta aos Telefônicos
de Santa Catarina

Estamos nos aproximando do encerramento de mais um ano e, como sempre, nossa Categoria se depara com os mesmos problemas: trabalhamos o ano inteiro, dia a dia, sol a sol, muitas vezes de madrugada de madrugada ou até 24 horas através de um plantão, sobreaviso ou chamadas de emergência, e na contra-partida nada há.


Quando paramos para pensar nos damos conta que dedicamos a maior parte do nosso tempo à empresa. Nossos filhos estão fazendo provas finais ou se formando, nos cobram férias e viagens, aquele checkup que deveríamos ter feito adiado para “não sei quando”.

Posso até saber de quase tudo sobre a empresa, mas é possível que tenha perdido detalhes importantes da vida de nossos familiares. Sei quase tudo ou pelo menos recebi na caixa de entrada do e-mail corporativo um turbilhão de informações e atribuições diariamente, sobre políticas corporativas, investimentos, lançamentos de novos produtos, novas tecnologias, mudanças de diretores, objetivos e metas empresariais, enfim, mas me dediquei muito pouco à minha família e aqueles que me querem bem. Muitos deles perdi contato, não tenho mais o telefone, o e-mail e talvez uma amizade que era muito boa foi esfriada, até perder de vez o contato. Hoje, estamos às voltas com as renovações dos acordos coletivos de trabalho e nos deparamos o quanto é frustrante nossa dedicação, nosso empenho e nosso apego ao trabalho.

Em algumas empresas os negociadores querem nos culpar pelas más administrações, pelos prejuízos ou até pelo índice de faturamento não alcançado. Outras nos culpam porque deixaram de ter lucros, devido a aquisições que durante o ano. Outras, ainda, acham que o trabalhador deve ganhar o suficiente para comer e nem devem ter direito a conforto, a se qualificar, a uma boa educação para os filhos, ou sequer planejar o futuro.

Ficamos como um barco a deriva. De um lado a onda, do outro a costão e corremos sempre o risco de acontecer o pior. A onda pode-se entender, como o mercado financeiro ou até a política econômica ou as políticas governamentais, as quais as empresas se socorrem ou se dissolvem. Mas o rochedo pode-se comparar às empresas, que ao menor indicativo de turbulência no mercado ou a diminuição do lucro, a primeira ação é privar o trabalhador de seus rendimentos, salários e benefícios.

Esse barquinho a deriva que somos nós, levando chacoalhadas e “guascassos” de todos os lados, dependendo se é uma “lestada” um “rebojo” um vento sul ou “terral”, e vai minando nossas forças, nossa capacidade de reagir e a tendência é nos acostumarmos com essas condições.

Então, para isso temos que nos reagrupar, unir, acreditar que podemos, que juntos somos fortes para não se cair nesse turbilhão ou nesse “tsunami” que vem nos ceifando direitos e que só nos exigem deveres sem contrapartida.
Estamos passando por um período de transformações e não podemos ficar assistindo de arquibancada. As profissões estão mudando e se fazendo necessário outro modelo de conhecimento. Nós, telefônicos, assistimos diariamente uma enxurrada de novas tecnologias, equipamentos, novos modelos de redes que proporcionam novas facilidades e satisfação para o cliente. O consumidor, por sua vez, está cada vez mais exigente, seja na qualidade do produto, seja no preço e na facilidade de uso.

Hoje ouvimos muito falar de NGN (Next Generation Network), VOIP – voz sobre redes IP, Wi-Fi – redes sem fios, WIMAX – acesso a banda larga onde não existe cabeamento telefônica ou TV a cabo, banda larga, 3G, 4G, em fim, nossos modelos atuais estão com os dias contados, nossa rede de cobre, par trançado, bloco cook, nossas centrais digitais – CPA (Central de Processamento Armazenado), que a pouco foi um avanço, hoje estão todos em cronogramas de remanejamento por meio de protocolos IP.

Os conhecidos fabricantes de equipamentos telefônicos (rádios, multiplex, centrais telefônicas, fontes corrente contínua, condicionadores de ar) como Telefunken, Autel, Siemens, Ericsson, Nec, Nortel, Indel, Saturnia, Coldex, tiveram que se aliar a outras que vieram com novas tecnologias senão ficariam para traz.

Hoje convivemos com fabricantes que enxergaram novas necessidades e cresceram dominando o mercado com as chinesas Huawei, ZTE, fusões como Alcatel-Lucent, Nokia-Siemens. Roteadores Juniper, cisco, redes Metroethernet, etc.

Desta forma, requalificação é a palavra de ordem. Urge estudarmos, buscarmos novas tecnologias, cobrarmos das empresas os treinamentos. Mais dia, menos dia, essas tecnologias vão chegar e se não tivermos preparados vamos perder a vez.

Quanto à empresa que trabalho, após se tornar “a maior empresa de serviços do País” através da compra da antiga BrT – Brasil Telecom, a Oi opera em todo o Brasil e se mostra intransigente e insensível no diálogo com os trabalhadores na hora de negociar o ACT.

Passamos por momentos críticos e de muita tristeza nesta incorporação. Tínhamos em Santa Catarina, precisamente em Florianópolis, o CNBrT (Centro Nacional Brasil Telecom), que controlava a operação de toda a BrT e que por força maior, foi desmantelado, suprimido e levado para o Rio de Janeiro e todos os trabalhadores foram submetidos a mudanças abruptas em suas vidas. Quem quis continuar na empresa mediante o convite teve de mudar para uma cidade insegura como o Rio de Janeiro. Os companheiros que não tinham condições de ir ou não foram convidados enfrentaram o desligado puro e simples. Em dois dias presenciei a demissão de mais de cem deles, muitos com vinte, vinte e cinco anos de empresa.

Sem dúvida, foram e são provações, desafios, batalhas que testam, minuto a minuto, a nossa capacidade de lutar e de se organizar. Por isso, é fundamental concentrarmos força, aglutinarmos idéias, sempre na parceria com o Sindicato, dando a confiança e a coragem para que seus diretores enfrentem de igual para igual as verdadeiras batalhas que são as rodadas de negociação onde se decidem nossos direitos e benefícios. Só assim estaremos construindo nossas vitórias.

Para encerrar desejo a todos os colegas telefônicos e suas famílias um Natal repleto de paz, amor e alegria. Que o ano de 2010, seja de muita saúde e muito sucesso.

Em tempo: não deixe de investir todos os seus esforços no que você tem de mais precioso: voce mesmo e sua família!

Florianópolis, 18 de dezembro de 2009.

Paulo Elias Rodrigues
Diretor Sindical/ Sinttel-SC