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Ao longo das permanentes jornadas de negociação
que enfrentamos diariamente, estabelecendo diálogo, firmando acordos
coletivos e cobrando direitos e benefícios dos trabalhadores, vemos
com grande clareza e indignação o direcionamento estratégico da
grande maioria dos gestores no Setor de Telecomunicações no Estado e
no País. O foco parece ser um só: o de aumentar a lucratividade,
atingir metas financeiras estratosféricas, usando como ferramenta
principal o método cruel de pressionar o trabalhador a render mais,
oferecendo em troca salários cada vez mais baixos, alta rotatividade
do emprego e uma precarização progressiva das condições de trabalho.
No terreno das maldades e do desrespeito
desmesurado com o trabalhador, já vimos quase tudo. Basta dizer que
nos últimos anos chegamos a denunciar ao Ministério do Trabalho uma
epidemia de sarna no ambiente de trabalho em um dos "call center's"
de nossa base. São, infelizmente, corriqueiras as reclamações de
companheiros e companheiras submetidas aos mais incríveis assédios
morais, como é o caso e alguns gestores que se prestam ao papel de
perseguir um trabalhador até o banheiro como um cão de guarda,
pressionando-o a ser rápido e econômico.
Hoje, sabemos que não basta negociar um acordo
coletivo de trabalho - que tem a força de Lei. Não é incomum termos
que buscar na via judicial ações para cumprimento de acordos em
vigência e ficar de olho bem aberto para não deixar o trabalhador
fragilizado diante da contínua dança de empresas terceirizadas que
abrem e fecham, que fazem e refazem contratos, com o único intuito
de pressionar salários e reduzir direitos conquistados pelo
Sindicato e a Categoria.
Não foi uma coincidência a rejeição a rejeição da
Comissão de Relações Exteriores da Câmara Federal, em Brasília, no
último dia 2, da Convenção 158 da Organização Internacional do
Trabalho que proíbe a demissão imotivada do empregado. No mundo,
hoje, são 34 países a respeitar esta Convenção, dentre os 181 que
compõem a OIT. A votação de 20 a 1, pela rejeição mostra bem a força
empresarial e o quanto os trabalhadores precisam se organizar em
suas entidades sindicais para obter vitórias.
A precarização é epidêmica pelo mundo. A própria
OIT, hoje, desenvolve uma campanha internacional pelo "Trabalho
Decente", procurando restabelecer patamares mais civilizados nas
relações entre Capital e Trabalho.
Por tudo isso, vale repetir o chamamento, sempre
necessário, para que cada trabalhador esteja sindicalizado e unido
com o Sindicato nas suas lutas. Cada um que se associar e trouxer
mais um para esta trincheira, mais fortes seremos nas mesas de
negociação e nas batalhas contra a precarização no trabalho.
Este é o único caminho para as conquistas da
Classe Trabalhadora.
Sergio Domingues
da Silva
Presidente do Sinttel-SC |