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Julho 2009

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A convergência
e a sofisticação
da maldade

"A etapa da vez se dará nos primeiros dias de dezembro próximo, quando o Governo Federal promoverá a 1ª Conferência Nacional de Comunicações. O evento tem contornos macabros para os trabalhadores e visa a construção de uma nova regulamentação, ainda mais profunda e perversa, envolvendo o amplo Setor de Comunicações, criando forte bases jurídicas de gestão para a aplicação certeira do mais poderoso modelo de exploração do trabalho que já se conheceu."

A mais sofisticada arapuca contra os trabalhadores em telecomunicações atende pelo pomposo nome de "convergência digital". Superficialmente, a palavra quer dizer no mercado a concentração de serviços através de uma ligação apenas entre as operadoras e seus clientes.

Mas esta maravilha moderna esconde em suas entranhas convergências de outros tipos, velhos conhecidos da Classe Trabalhadora, que atendem pelos nomes de arrocho salarial, precarização das condições de trabalho, extinção de benefícios e toda espécie de terrorismo para intimidar a organização dos empregados do Setor.

Está em curso, já faz uns anos, um evidente processo gerencial por dentro das empresas que operam em telecomunicações, que visa preparar as bases legais com o sentido de dar suporte jurídico aos seus interesses nos países da América Latina.

Aqui no Brasil, a primeira grande largada nesta direção foi a privatização das telecomunicações em 1998, que veio a ser o golpe de misericórdia no Sistema Telebrás, que já vinha sendo propositalmente enfraquecido com as más gestões de conhecimento de todos que militam no Setor.

De lá para cá uma série de etapas vem se desenvolvendo para a completa conformação de um modelo - antes de monopólio estatal, agora privado, tratado apenas como um produto e não mais como serviço público essencial. Para isso, as gestões empresariais tem se voltado para um desumano desmonte dos direitos históricos dos trabalhadores, desagregando a idéia de Categoria do Setor, ceifando salários e benefícios e a utilização de uma relação terrorista e intimidatória com seus empregados e suas entidades sindicais.

A etapa da vez se dará nos primeiros dias de dezembro próximo, quando o Governo Federal promoverá a 1ª Conferência Nacional de Comunicações. O evento tem contornos macabros para os trabalhadores e visa a construção de uma nova regulamentação, ainda mais profunda e perversa, envolvendo o amplo Setor de Comunicações, criando forte bases jurídicas de gestão para a aplicação certeira do mais poderoso modelo de exploração do trabalho que já se conheceu.

Uma das evidências do sentido deletério desta Conferência é o seu leque de convidados, exuberante em celebridades e com o requinte da má fé, deixando de fora da discussão a Fenattel, a legítima representante dos trabalhadores em telecomunicações do País.

Tal direcionamento, já na composição do fórum para debate, mostra que o que virá tem a clara intenção de aprofundar a desregulamentação trabalhista do Setor com o aprofundamento de um modelo de gestão cada vez mais próximo do que conhecemos como mão-de-obra escrava.

Para os que ainda possam entender que há um exagero nesta avaliação, basta ver o comportamento das operadoras nos últimos anos nas mesas de negociação com as entidades sindicais. Apesar de todos os esforços e as bravas batalhas enfrentadas pelos sindicatos e os qualificados trabalhadores em telecomunicações, paulatinamente, a direção perseguida pelas empresas no fechamento dos acordos coletivos vem pressionando pisos e direitos que já encontram abaixo dos praticados em categorias profissionais de capacitação quase inexistente.

Por esta razão e diante de desafios tão solenes e difíceis, o nosso Movimento Sindical precisa da unidade absoluta dos trabalhadores e, fundamentalmente de dirigentes comprometidos, militantes verdadeiros da causa comum, a serviço dos trabalhadores, sem a interferência - sempre indesejável - do interesse pessoal, de projetos particulares e de promoção pessoal. Estes, felizmente, a Categoria sempre os identificou e foram expurgados da trincheira na hora certa, preservando e fortalecendo os reais lutadores na defesa da Classe Trabalhadora.

Sergio Domingues da Silva
Presidente do Sinttel-SC