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Este mês de maio - mês que
abriga o Dia Internacional dos Trabalhadores - tem tudo para se
transformar num marco histórico no Movimento Sindical, especialmente
para os Trabalhadores em Telecomunicações no Brasil.
Desde o ano de 1998, quando iniciou-se o
processo de privatização do setor, desmontando-se toda a estrutura
do Sistema Telebrás, sob o patrocínio da globalização e da
modernidade - e viu-se em seguida que pouco trouxeram em qualidade -
os empregados deste mercado vêm sofrendo ondas de precarização, cada
vez mais dramáticas e cruéis nas relações de trabalho com as
empresas. A estratégia
adotada pelas mega empresas de telefonia chegou com os ares da
modernidade neo-liberal, onde todos teriam liberdade para crescer e
conquistar o sucesso. Grande e engenhoso engano!
A terceirização aterrissou no setor como um raio
apocalíptico, dizimando milhares de empregos, eliminando benefícios
e direitos históricos dos trabalhadores e provocando um arrocho
salarial crescente e perverso a cada ano que passa.
Se pelo lado das relações trabalhistas o modelo
tem sido um verdadeiro carrasco com seus empregados, pela ótica do
serviço prestado à sociedade, o desempenho de tanta modernidade está
longe de ser a perfeição que as publicidades vendem, com pirotecnia
a custo de ouro na mídia. A privatização tão mágica só conseguiu
oferecer uma questionável quantidade de linhas. Todo o resto que tem
a ver com qualidade, como manutenção, cobertura de recepção, preço
de tarifas, equalização do sistema e controle eficiente de
qualidade, são itens que ficaram só no papel bonito dos acordos
impublicáveis e que valeriam boas CPIs.
O mecanismo da terceirização é uma espécie de
carro abre-alas do atual modelo do setor de telecomunicações, é
porta de entrada da maldade contra o trabalhador, um sistema de
viabilizar o descumprimento da legislação trabalhista que nos
oportuniza uma constrangedora pergunta: por que ainda querem acabar
com a CLT, depois da invenção da terceirização?
A manobra é simples e radical. Demite-se quase
todo mundo, recontrata-se a pessoa jurídica, mas segue-se arrochando
salários e o que vier pela frente, através da manipulação de
contratos, com o "assalto" repassado por efeito dominó: a operadora
pressiona a terceirizada, e a terceirizada reencaminha a conta para
o trabalhador. Na mesa de
negociação dos acordos, empresa e contratada ficam revezando o
protagonismo da maldade.
Dizíamos que este mês de maio pode se transformar num marco. As
operadoras, que regem todo este sistema macabro contra seus
empregados, parecem trabalhar dia e noite para isso, como que
testando a paciência e a capacidade de luta da Categoria. É o que
efetivamente terão! Em
fevereiro passado, em reunião com dirigentes sindicais do País, o
Sinttel-SC foi o anfitrião para a criação do FÓRUM LIVRE E
PERMANENTE PELA VALORIZAÇÃO DO TRABALHO TERCEIRIZADO NO SETOR DE
TELECOMUNICAÇÕES. Lá foi lançado o Manifesto Intersindical (leia
na íntegra, no Site www.sinttel-sc.com.br), onde estão registradas
as indignações da Categoria com este modelo e a exaustão dos
trabalhadores e a determinação das suas entidades sindicais em
iniciar, o mais breve possível, um levante histórico contra esta
sanha das mega-operadoras e suas discípulas imposta aos
trabalhadores. Diante do
que está colocado nas mesas de negociações para os próximos acordos,
será inevitável o enfrentamento. Se pensam que a Classe
Trabalhadora, especialmente os trabalhadores em telecomunicações,
ficarão omissos à tamanha provocação e sofrimento, a resposta virá -
como nos velhos tempos - uníssona e vigorosa, até que o bom senso e
critérios civilizados e realmente modernos sejam as bases das
relações entre capital e trabalho, daqui para frente.
Provoquem!...E quem viver, verá!!
Sergio Domingues
da Silva
Presidente do Sinttel-SC |