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Em todas as Campanhas Salariais que
estivemos negociando nos últimos anos, sem dúvida, as que estamos
vivendo neste ano de 2003, é a mais dolorosa para nós do
Sinttel-SC e dos Sindicatos Telefônicos pelo País, em geral.
Esta visão nebulosa que temos, em
meio a diversas rodadas de negociação com múltiplas empresas do
setor de telecomunicações, vemos que a injustiça e a
insensibilidade correm soltas neste campo minado de lobes e de uma
voraz determinação de se obter lucros e cada vez mais lucros, sob
o sacrifício e até o desespero do trabalhador do setor.
Não é de agora que estamos
acompanhando de perto a evolução da rentabilidade e da
lucratividade das empresas prestadoras de serviços e,
principalmente, as operadoras de telefonia móvel e celular. E não
olhamos estes números com o rancor de quem enxerga o lucro como
algo pecaminoso, muito pelo contrário. Entendemos que quanto mais a
empresa obtiver lucros e resultados produtivos no mercado, melhor
serão nossas condições de negociação, quando estivermos
tratando de um Acordo Coletivo. Esta lógica, é a lógica do bom
senso, do que é justo, de um mercado maduro e que já tenha
superado o que é chamado de capitalismo selvagem.
Que grande e lamentável engano...! O
que vemos na prática, nas mesas de negociação, salvo raras e
honrosas exceções, é o representante da empresa procurando
fórmulas mirabolantes de empurrar cada vez mais trabalho ao
empregado, dando-lhe, de salário e benefícios, cada vez menos.
Foi-se o tempo em que discutíamos
Planos de Cargos e Salários. Bons tempos! Hoje, praticamente, só
falamos de valores de participação nos lucros e, ainda assim, com
grandes dificuldades de superar o emaranhado de critérios e
índices, criados pelas empresas, para confundir e pulverizar o
sentimento de grupo nos quadros de empregados.
Chegamos ao ponto que reposição
salarial parece nome feio, bicho papão nas mesas de negociação,
em que pese toda a argumentação sindical, baseada em números
inflacionários oficiais, em índices de crescimento real das
empresas e da dança espetacular dos balanços anuais das empresas
do setor.
Não estamos chegando agora no
movimento sindical, ao contrário de muitos que hoje sentam conosco
para negociar acordos. Somos do tempo em que um bom acordo coletivo,
muitas vezes, era antecedido de greves e paralisações vitoriosas.
Os tempos são outros, é verdade, mas ainda está firme na nossa
lembrança a eficiência do gesto de um trabalhador de braços
cruzados. Como diz o anúncio, “experimenta...!” |
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"Somos
do tempo em que um bom acordo coletivo, muitas vezes, era
antecedido de greves e paralisações vitoriosas."
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