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EDITORIAL DO SINTTEL-SC
Novembro/Dezembro de 2003

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"Experimenta...!"
Em todas as Campanhas Salariais que estivemos negociando nos últimos anos, sem dúvida, as que estamos vivendo neste ano de 2003, é a mais dolorosa para nós do Sinttel-SC e dos Sindicatos Telefônicos pelo País, em geral.

Esta visão nebulosa que temos, em meio a diversas rodadas de negociação com múltiplas empresas do setor de telecomunicações, vemos que a injustiça e a insensibilidade correm soltas neste campo minado de lobes e de uma voraz determinação de se obter lucros e cada vez mais lucros, sob o sacrifício e até o desespero do trabalhador do setor.

Não é de agora que estamos acompanhando de perto a evolução da rentabilidade e da lucratividade das empresas prestadoras de serviços e, principalmente, as operadoras de telefonia móvel e celular. E não olhamos estes números com o rancor de quem enxerga o lucro como algo pecaminoso, muito pelo contrário. Entendemos que quanto mais a empresa obtiver lucros e resultados produtivos no mercado, melhor serão nossas condições de negociação, quando estivermos tratando de um Acordo Coletivo. Esta lógica, é a lógica do bom senso, do que é justo, de um mercado maduro e que já tenha superado o que é chamado de capitalismo selvagem.

Que grande e lamentável engano...! O que vemos na prática, nas mesas de negociação, salvo raras e honrosas exceções, é o representante da empresa procurando fórmulas mirabolantes de empurrar cada vez mais trabalho ao empregado, dando-lhe, de salário e benefícios, cada vez menos.

Foi-se o tempo em que discutíamos Planos de Cargos e Salários. Bons tempos! Hoje, praticamente, só falamos de valores de participação nos lucros e, ainda assim, com grandes dificuldades de superar o emaranhado de critérios e índices, criados pelas empresas, para confundir e pulverizar o sentimento de grupo nos quadros de empregados.

Chegamos ao ponto que reposição salarial parece nome feio, bicho papão nas mesas de negociação, em que pese toda a argumentação sindical, baseada em números inflacionários oficiais, em índices de crescimento real das empresas e da dança espetacular dos balanços anuais das empresas do setor.

Não estamos chegando agora no movimento sindical, ao contrário de muitos que hoje sentam conosco para negociar acordos. Somos do tempo em que um bom acordo coletivo, muitas vezes, era antecedido de greves e paralisações vitoriosas. Os tempos são outros, é verdade, mas ainda está firme na nossa lembrança a eficiência do gesto de um trabalhador de braços cruzados. Como diz o anúncio, “experimenta...!”

"Somos do tempo em que um bom acordo coletivo, muitas vezes, era antecedido de greves e paralisações vitoriosas."