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Desde o processo de privatização, ocorrido no Brasil em Julho de
1998, estamos assistindo uma enorme transformação no setor de
telecomunicações.
É
inegável o fato que houve um substancial aumento da oferta de serviços,
sejam eles na telefonia celular, como o incremento dos serviços de
comunicação de dados e, ainda, avanços das comunicações em rede
via internet.
Entretanto,
este fenômeno, em absoluto pode ser analisado de forma isolada,
como se o atual modelo fosse a solução para todos os problemas do
setor. Ao mesmo tempo em que aconteceu o aumento da oferta,
aumentaram os valores absolutos, cobrados nas contas telefônicas,
tendo havido em média o crescimento de aproximadamente 200% nos
valores arrecadados.
A
prestação de um serviço, originado em concessão
pública, passou a ser um dos recordistas nas reclamações
dos usuários junto aos órgãos de defesa do consumidor. No caso da
Brasil Telecom, a empresa fechou, pura e simplesmente, 57 agências
comerciais que efetuavam o atendimento a clientes. Justificou o
fechamento , alegando que o “call center” implantado pela
empresa em Florianópolis, suprimiria a falta das agências.
Em
dezembro de 2001, a mesma Brasil Telecom
terceirizou este mesmo “call center”, demitindo todos
seus empregados, afastando-se desta maneira, definitivamente, do
contato com seus clientes que não sejam de grande porte.
A
empresa já havia feito a terceirização dos serviços de rede, ou
seja, na planta externa, assim como terceirizado alguns serviços de
centrais telefônicas e transmissão de dados, energia, ar
condicionado, CPD, etc. Não satisfeita, nem saciada em sua
voracidade para aumentar os lucros, agora, terceirizou tudo o que
restou da planta interna.
Em
1998, quando da privatização, a empresa contava com 2.040
empregados, diretamente contratados. Nos últimos 3 anos e meio, a
empresa já demitiu mais de 2 mil trabalhadores. Tais dispensas não
aconteceram por inovações tecnológicas ou eliminação das
atividades exercidas, mas, para, única e exclusivamente, aumentar a
lucratividade, uma vez que os profissionais, em grande maioria,
continuam prestando serviços a empresa. A diferença é que, agora,
estão ligados a empreiteiras, prestadoras de serviços e
cooperativas, praticamente, ao desamparo legal, haja vista que, em
sua maioria, perderam vantagens e benefícios tais como complementação
de aposentadoria através de fundações, assistências médica e
odontológica, FGTS, INSS, tíquete alimentação/refeição,
pagamento de adicionais de periculosidade sobre salários ou
remunerações reais e seguro de vida.
Estas
perdas decorrem dos novos modelos de contratação. Alguns benefícios
e vantagens foram simplesmente
extintos, outros, ainda, são praticados de forma precária, na
medida em que as contratações não registram os valores reais das
remunerações que, em quase todas as empresas, são pagos parte na
carteira de trabalho, parte “por fora”, em espécie, para
“driblar” o recolhimento dos encargos sociais.
Esta
situação de penúria vivida pela Categoria Telefônica, o deboche
da empresa em relação às leis trabalhistas e o mal atendimento de
seus clientes, exigem da sociedade e de seus representantes políticos
uma postura mais corajosa, de repúdio e ações concretas, que
evitem a continuidade destas aberrações. |
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"Depois
de exterminar com as agências, de demitir mais de 1.200
trabalhadores, acabar com o "call center", agora,
a Brasil Telecom ataca o que ainda faltava, a planta interna
da Telesc."
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