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EDITORIAL DO SINTTEL-SC
Abril de 2002

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O desmanche

Desde  o processo de privatização, ocorrido no Brasil em Julho de 1998, estamos assistindo uma enorme transformação no setor de telecomunicações.

É inegável o fato que houve um substancial aumento da oferta de serviços, sejam eles na telefonia celular, como o incremento dos serviços de comunicação de dados e, ainda, avanços das comunicações em rede via internet.

Entretanto, este fenômeno, em absoluto pode ser analisado de forma isolada, como se o atual modelo fosse a solução para todos os problemas do setor. Ao mesmo tempo em que aconteceu o aumento da oferta, aumentaram os valores absolutos, cobrados nas contas telefônicas, tendo havido em média o crescimento de aproximadamente 200% nos valores arrecadados.

A prestação de um serviço, originado em concessão  pública, passou a ser um dos recordistas nas reclamações dos usuários junto aos órgãos de defesa do consumidor. No caso da Brasil Telecom, a empresa fechou, pura e simplesmente, 57 agências comerciais que efetuavam o atendimento a clientes. Justificou o fechamento , alegando que o “call center” implantado pela empresa em Florianópolis, suprimiria a falta das agências.

Em dezembro de 2001, a mesma Brasil Telecom  terceirizou este mesmo “call center”, demitindo todos seus empregados, afastando-se desta maneira, definitivamente, do contato com seus clientes que não sejam de grande porte.

A empresa já havia feito a terceirização dos serviços de rede, ou seja, na planta externa, assim como terceirizado alguns serviços de centrais telefônicas e transmissão de dados, energia, ar condicionado, CPD, etc. Não satisfeita, nem saciada em sua voracidade para aumentar os lucros, agora, terceirizou tudo o que restou da planta interna.

Em 1998, quando da privatização, a empresa contava com 2.040 empregados, diretamente contratados. Nos últimos 3 anos e meio, a empresa já demitiu mais de 2 mil trabalhadores. Tais dispensas não aconteceram por inovações tecnológicas ou eliminação das atividades exercidas, mas, para, única e exclusivamente, aumentar a lucratividade, uma vez que os profissionais, em grande maioria, continuam prestando serviços a empresa. A diferença é que, agora, estão ligados a empreiteiras, prestadoras de serviços e cooperativas, praticamente, ao desamparo legal, haja vista que, em sua maioria, perderam vantagens e benefícios tais como complementação de aposentadoria através de fundações, assistências médica e odontológica, FGTS, INSS, tíquete alimentação/refeição, pagamento de adicionais de periculosidade sobre salários ou remunerações reais e seguro de vida.

Estas perdas decorrem dos novos modelos de contratação. Alguns benefícios e vantagens foram  simplesmente extintos, outros, ainda, são praticados de forma precária, na medida em que as contratações não registram os valores reais das remunerações que, em quase todas as empresas, são pagos parte na carteira de trabalho, parte “por fora”, em espécie, para “driblar” o recolhimento dos encargos sociais.

Esta situação de penúria vivida pela Categoria Telefônica, o deboche da empresa em relação às leis trabalhistas e o mal atendimento de seus clientes, exigem da sociedade e de seus representantes políticos uma postura mais corajosa, de repúdio e ações concretas, que evitem a continuidade destas aberrações.

"Depois de exterminar com as agências, de demitir mais de 1.200 trabalhadores, acabar com o "call center", agora, a Brasil Telecom ataca o que ainda faltava, a planta interna da Telesc."