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Abril de 2001

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Um "iceberg" no meio do Brasil!
Os noticiários se misturaram. Quase não sabemos mais separar as notícias de polícia e política. Se confundem, tamanho é o número de mandados de prisão expedidos pela Justiça, envolvendo empresários, políticos, servidores e velhas figuras conhecidas no cenário nacional. Há quem pergunte: haverá prisão suficiente?...!

Se antes o presidente FHC conseguia manter uma certa distância dos escândalos de corrupção que cercam seu governo e até interpretava com razoável desenvoltura um discurso de austeridade, agora parece que o mesmo presidente e diversos homens fortes do Palácio do Planalto se complicam a cada dia que passa.

O presidente faz um jogo perigoso. Ao mesmo tempo que precisa de seus aliados no Congresso para barrar a instalação de uma CPI que vai vasculhar os inúmeros cantos escuros de seu governo, FHC joga todos os parlamentares na vala comum e declara que antes do Congresso criar CPI deve cuidar de sua própria casa. Não só lava as mãos, mais uma vez, como também joga gasolina na fogueira onde queimam-se de forma irrecuperável diante das câmeras e microfones do país, os senadores José Arruda, líder de FHC no Senado, Antonio Carlos Magalhães, e Jader Barbalho, presidente do Congresso Nacional e outros que, com certeza, serão justamente arrastados. Brinca com fogo o presidente. Não escapará das labaredas. A atuação de seu amigo e ex-secretário, Eduardo Jorge, é elemento de investigação de poderoso teor inflamável, capaz de detonar a aura angelical que FHC insiste em ostentar. Tais revelações, livres da tradicional manipulação política, não darão espaço para novas tentativas de desdizer e desfazer o que já foi dito e feito.

O episódio da violação do placar eletrônico do Senado é a ponta de um gigantesco "iceberg", dentro do qual estão resfriados e vivos pecados inconfessáveis e de graves conseqüências morais e econômicas para o país, que podem eclodir a qualquer momento, mostrando o rosto claro de seus verdadeiros protagonistas.

O noticiário trazido pela imprensa não consegue separar a água do vinho. Não há vinho, nem água. Há um forte odor de aguardente barato, que catalisa elementos nocivos à sociedade. Espera-se que desta vez se faça cumprir todo o rito jurídico, com a responsabilização e punição exemplar, sem privilégios.

Constrange qualquer cidadão brasileiro o que assistimos ultimamente. Que este "iceberg" seja bem avaliado e devidamente cristalizado em nossa memória no próximo ano eleitoral.

"Uma onda profilática no Congresso que pode chegar, também, ao Pálácio"