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Os
noticiários se misturaram. Quase não sabemos mais separar as
notícias de polícia e política. Se confundem, tamanho é o
número de mandados de prisão expedidos pela Justiça, envolvendo
empresários, políticos, servidores e velhas figuras conhecidas no
cenário nacional. Há quem pergunte: haverá prisão
suficiente?...! Se antes o presidente FHC conseguia manter uma certa distância dos
escândalos de corrupção que cercam seu governo e até
interpretava com razoável desenvoltura um discurso de austeridade,
agora parece que o mesmo presidente e diversos homens fortes do
Palácio do Planalto se complicam a cada dia que passa.
O presidente faz um jogo perigoso. Ao mesmo tempo que precisa de
seus aliados no Congresso para barrar a instalação de uma CPI que
vai vasculhar os inúmeros cantos escuros de seu governo, FHC joga
todos os parlamentares na vala comum e declara que antes do
Congresso criar CPI deve cuidar de sua própria casa. Não só lava
as mãos, mais uma vez, como também joga gasolina na fogueira onde
queimam-se de forma irrecuperável diante das câmeras e microfones
do país, os senadores José Arruda, líder de FHC no Senado,
Antonio Carlos Magalhães, e Jader Barbalho, presidente do Congresso
Nacional e outros que, com certeza, serão justamente arrastados.
Brinca com fogo o presidente. Não escapará das labaredas. A
atuação de seu amigo e ex-secretário, Eduardo Jorge, é elemento
de investigação de poderoso teor inflamável, capaz de detonar a
aura angelical que FHC insiste em ostentar. Tais revelações,
livres da tradicional manipulação política, não darão espaço
para novas tentativas de desdizer e desfazer o que já foi dito e
feito.
O episódio da violação do placar eletrônico do Senado é a ponta
de um gigantesco "iceberg", dentro do qual estão
resfriados e vivos pecados inconfessáveis e de graves conseqüências
morais e econômicas para o país, que podem eclodir a qualquer
momento, mostrando o rosto claro de seus verdadeiros protagonistas.
O noticiário trazido pela imprensa não consegue separar a água do
vinho. Não há vinho, nem água. Há um forte odor de aguardente
barato, que catalisa elementos nocivos à sociedade. Espera-se que
desta vez se faça cumprir todo o rito jurídico, com a
responsabilização e punição exemplar, sem privilégios.
Constrange qualquer cidadão brasileiro o que assistimos
ultimamente. Que este "iceberg" seja bem avaliado e
devidamente cristalizado em nossa memória no próximo ano
eleitoral. |
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"Uma
onda profilática
no Congresso
que pode
chegar, também,
ao Pálácio"
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