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EDITORIAL DO SINTTEL-SC
Junho de 2002

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Brasil Telecom: concessão para demitir
e obter lucros estratosféricos!

Os trabalhadores da Brasil Telecom, em todo o país, amanheceram no feriado de Corpus Christi da pior forma possível. Nas últimas horas do expediente de quarta-feira, neste último dia 29/05, a Empresa comunicou seu quadro de empregados que estava demitindo mais uma leva de aproximadamente 100 empregados, desta vez, extinguindo o departamento de manutenção de centrais telefônicas e de geração de rede interna.

Este setor, que consiste o cérebro da telefonia fixa, era o último reduto técnico da Brasil Telecom que ainda não havia sido terceirizado e que sempre concentrou o que de melhor tinha em recursos humanos e tradicional qualidade em telefonia fixa. Com esta decisão, a Brasil Telecom passa a ser, na prática, uma empresa integralmente virtual, abandonando de vez a atividade central para a qual havia se habilitado no processo de privatização, quando ganhou a concessão da telefonia fixa em nove estados brasileiros.

A própria Anatel, talvez, não tenha se dado conta que a Brasil Telecom, hoje, apenas administra uma série de empresas sub contratadas em regime de terceirização e até de quarterizaões, afastando-se completamente de suas origens de prestadora de serviço de telefonia.

A razão desta avalanche de transferências de responsabilidade é conhecida há muito tempo pelos sindicatos de trabalhadores em telecomunicações, os quais vêm denunciando a verdadeira chacina que a Empresa está praticando contra seus empregados e seus clientes.

Estas terceirizações têm ocorrido com a recontratação dos trabalhadores demitidos da Brasil Telecom de forma a lhes dar no registro da carteira assinada praticamente a metade dos salários anteriormente pagos, o que facilita a extinção de direitos e benefícios conquistados pela Categoria, além da evasão de impostos e encargos trabalhistas que são desviados dos cofres públicos. A prática do pagamento por fora das empreiteiras terceirizas é usada totalmente ao arrepio da legislação trabalhista, numa manobra macabra que humilha e revolta os trabalhadores e o movimento sindical.

Este comportamento a Empresa é produto de uma longa e agonizante trajetória de desmonte das empresas de telefonia adquiridas pela Brasil Telecom, marcando uma conduta de desenvolver uma gestão de muitos prejuízos para a sociedade, voltada apenas para a lucratividade, sem contemplar os devidos investimentos, melhoria de serviços e redução de tarifas, tão prometidas no período que se privatizou o setor de telefonia.

Para se ter uma idéia, a Telesc Brasil Telecom, antes da privatização, gastava com a folha de pagamento cerca de R$ 3,7 milhões. Hoje, depois de mais de 2 mil demissões, a Empresa não gasta R$ 1 milhão com salários. Com as demissões desta quarta-feira, a folha deve cair, ainda, para cerca de R$ 700 mil. Na contrapartida, superando todas as previsões de rentabilidade e lucros, a Brasil Telecom irá fechar o ano com um faturamento aproximado de R$ 10 bilhões e um lucro que ultrapassa os R$ 7 bilhões

Infelizmente, esta realidade não é só protagonizada pela Brasil Telecom. O processo de encolhimento e precarização de serviços e condições de trabalho, também já vem acontecendo em outras operadoras, como é o caso da Global Telecom. Nas terceirizações feitas na Global, seus antigos trabalhadores vêm recebendo propostas salariais humilhantes e indecorosas para desempenharem as mesmas funções, agora em empreiteiras sub contratadas.

O Sinttel-SC, os demais sindicatos telefônicos e a Federação Nacional dos Telefônicos já estão se mobilizando para impedir o completo sepultamento do setor. As entidades sindicais entendem que é hora de mobilizar todos os setores que já estão sofrendo prejuízos com esta escalada de golpes. A Receita Federal, o Ministério Público do Trabalho, o INSS, a Anatel, o Ministério das Comunicações e os governos estaduais precisam se envolver nesta mobilização, na medida em que são,também, prejudicados diretos neste processo de desfalque e sucateamento do setor telefônico no país.

"Com a demissão dos colegas de manutenção de centrais, a Brasil Telecom passa a ser, na prática, uma empresa integralmente virtual, abandonando de vez a atividade central para a qual havia se habilitado no processo de privatização, quando ganhou a concessão da telefonia fixa em nove estados brasileiros"