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Os trabalhadores da
Brasil Telecom, em todo o país, amanheceram no feriado de Corpus
Christi da pior forma possível. Nas últimas horas do expediente de
quarta-feira, neste último dia 29/05, a Empresa comunicou seu
quadro de empregados que estava demitindo mais uma leva de
aproximadamente 100 empregados, desta vez, extinguindo o
departamento de manutenção de centrais telefônicas e de geração
de rede interna.
Este setor, que
consiste o cérebro da telefonia fixa, era o último reduto técnico
da Brasil Telecom que ainda não havia sido terceirizado e que
sempre concentrou o que de melhor tinha em recursos humanos e
tradicional qualidade em telefonia fixa. Com esta decisão, a Brasil
Telecom passa a ser, na prática, uma empresa integralmente virtual,
abandonando de vez a atividade central para a qual havia se
habilitado no processo de privatização, quando ganhou a concessão
da telefonia fixa em nove estados brasileiros.
A própria Anatel,
talvez, não tenha se dado conta que a Brasil Telecom, hoje, apenas
administra uma série de empresas sub contratadas em regime de
terceirização e até de quarterizaões, afastando-se completamente de suas origens de
prestadora de serviço de telefonia.
A razão desta
avalanche de transferências de responsabilidade é conhecida há
muito tempo pelos sindicatos de trabalhadores em telecomunicações,
os quais vêm denunciando a verdadeira chacina que a Empresa está
praticando contra seus empregados e seus clientes.
Estas terceirizações
têm ocorrido com a recontratação dos trabalhadores demitidos da
Brasil Telecom de forma a lhes dar no registro da carteira assinada
praticamente a metade dos salários anteriormente pagos, o que
facilita a extinção de direitos e benefícios conquistados pela
Categoria, além da evasão de impostos e encargos trabalhistas que
são desviados dos cofres públicos. A prática do pagamento por
fora das empreiteiras terceirizas é usada totalmente ao arrepio da
legislação trabalhista, numa manobra macabra que humilha e revolta
os trabalhadores e o movimento sindical.
Este comportamento
a Empresa é produto de uma longa e agonizante trajetória de
desmonte das empresas de telefonia adquiridas pela Brasil Telecom,
marcando uma conduta de desenvolver uma gestão de muitos prejuízos
para a sociedade, voltada apenas para a lucratividade, sem
contemplar os devidos investimentos, melhoria de serviços e redução
de tarifas, tão prometidas no período que se privatizou o setor de
telefonia.
Para se ter uma idéia,
a Telesc Brasil Telecom, antes da privatização, gastava com a
folha de pagamento cerca de R$ 3,7 milhões. Hoje, depois de mais de
2 mil demissões, a Empresa não gasta R$ 1 milhão com salários.
Com as demissões desta quarta-feira, a folha deve cair, ainda, para
cerca de R$ 700 mil. Na contrapartida, superando todas as previsões
de rentabilidade e lucros, a Brasil Telecom irá fechar o ano com um
faturamento aproximado de R$ 10 bilhões e um lucro que ultrapassa
os R$ 7 bilhões
Infelizmente, esta
realidade não é só protagonizada pela Brasil Telecom. O processo
de encolhimento e precarização de serviços e condições de
trabalho, também já vem acontecendo em outras operadoras, como é
o caso da Global Telecom. Nas terceirizações feitas na Global,
seus antigos trabalhadores vêm recebendo propostas salariais
humilhantes e indecorosas para desempenharem as mesmas funções,
agora em empreiteiras sub contratadas.
O Sinttel-SC, os
demais sindicatos telefônicos e a Federação Nacional dos Telefônicos
já estão se mobilizando para impedir o completo sepultamento do
setor. As entidades sindicais entendem que é hora de mobilizar
todos os setores que já estão sofrendo prejuízos com esta
escalada de golpes. A Receita Federal, o Ministério Público do
Trabalho, o INSS, a Anatel, o Ministério das Comunicações e os
governos estaduais precisam se envolver nesta mobilização, na
medida em que são,também, prejudicados diretos neste processo de
desfalque e sucateamento do setor telefônico no país. |
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"Com
a demissão dos colegas de manutenção de centrais, a
Brasil Telecom passa a ser, na prática, uma empresa
integralmente virtual, abandonando de vez a atividade
central para a qual havia se habilitado no processo de
privatização, quando ganhou a concessão da telefonia fixa
em nove estados brasileiros"
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