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EDITORIAL DO SINTTEL-SC
Maio de 2003

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A gente também quer 29%.
No salário!!
A propósito deste início de discussão sobre o aumento das tarifas do setor telefônico, uma reflexão que poderá nos dar uma potente luz no curso do trabalho sindical que nos espera nos próximos meses.

Lemos nos jornais a articulação crescente das empresas operadoras junto à frágil Anatel, para que se pratique uma elevação das tarifas, de forma generalizada, em torno de 29%.

Antes de entrarmos no assunto sindical em si, o número pretendido pelos mega-exploradores do setor, nos leva a pensar numa pergunta: quem neste país, além dos banqueiros, é claro, tiveram uma reposição de seus preços ou de salários, como queiram, igual ou parecido a 29%? É um percentual, com certeza, tirado de algum cálculo atuarial de algum escritório estrangeiro, usando critérios mirabolantes para provar que o setor telefônico nacional está operando no vermelho e precisa, rapidamente, para evitar quebradeira de mercado, um aumento de suas tarifas. Quem acreditaria nisso? Ninguém, minimamente informado!

Não é preciso ser economista ou analista de mercado para saber que o negócio mais lucrativo neste país, nos últimos anos, tem sido a operação de telefonia fixa e móvel. Portanto, uma "reposição" de 29% é mais um deboche do que uma reivindicação séria e civilizada. Os usuários da telefonia que o digam. Nunca tivemos contas de telefone, seja ele de que tipo for, tão caras!

O desaforo das operadoras só poderá ser explicado por uma razão plausível: a reposição salarial e a retomada do poder aquisitivo, há muito cada vez mais achatado, dos trabalhadores do setor.

Desde a privatização das telecomunicações no País, vivemos a mais cruel e aguda perda crescente de salários, direitos e benefícios. Os últimos Acordos, com muito esforço e mobilização dos Sindicatos e Categoria, sem qualquer apoio da classe política, conseguimos abaixo de muita luta, a manutenção de alguns direitos e uma lenta reorganização dos trabalhadores, diante deste projeto de verdadeiro desmonte do setor, transformando as empresas de telefonia em escritórios virtuais de uma lucratividade estratosférica às custas do pobre usuário e do explorado trabalhador do setor.

Portanto, é chegada a hora, no bojo desta investida das operadoras para obtenção de um aumento das tarifas, que os trabalhadores dos setor reivindiquem, de igual forma, uma recuperação salarial decente e justa. Mais do que isso. Este é o momento de iniciarmos uma Campanha de recuperação salarial já, mesmo antes das datas-base, no final do ano. Se as operadoras querem um aumento de tarifa agora, é justo que nossa reposição não fique esperando, solenemente, por negociações que vão acontecer no final deste ano.

Com a palavra, a Anatel, sob a mira da sociedade e do Movimento Sindical Telefônico. Uma boa oportunidade da Agência mostrar que veio para cumprir um papel digno.

Vamos cobrar!

"As operadoras querem 29% de aumento das tarifas. Só falta dizer que estão à beira da falência e, assim, todos nós podemos morrer de rir com a piada. O pedido à Anatel nos inspira a brigar, mais do que nunca, por uma recuperação salarial no setor, represada desde a privatização das telecomunicações no País."