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A propósito deste início de discussão
sobre o aumento das tarifas do setor telefônico, uma reflexão que
poderá nos dar uma potente luz no curso do trabalho sindical que nos
espera nos próximos meses.
Lemos nos jornais a articulação crescente das empresas operadoras
junto à frágil Anatel, para que se pratique uma elevação das
tarifas, de forma generalizada, em torno de 29%.
Antes de entrarmos no assunto
sindical em si, o número pretendido pelos mega-exploradores do
setor, nos leva a pensar numa pergunta: quem neste país, além dos
banqueiros, é claro, tiveram uma reposição de seus preços ou de
salários, como queiram, igual ou parecido a 29%? É um percentual,
com certeza, tirado de algum cálculo atuarial de algum escritório
estrangeiro, usando critérios mirabolantes para provar que o setor
telefônico nacional está operando no vermelho e precisa,
rapidamente, para evitar quebradeira de mercado, um aumento de suas
tarifas. Quem acreditaria nisso? Ninguém, minimamente informado!
Não é preciso ser economista ou
analista de mercado para saber que o negócio mais lucrativo neste
país, nos últimos anos, tem sido a operação de telefonia fixa e
móvel. Portanto, uma "reposição" de 29% é mais um deboche do que uma
reivindicação séria e civilizada. Os usuários da telefonia que o
digam. Nunca tivemos contas de telefone, seja ele de que tipo for,
tão caras!
O desaforo das operadoras só poderá
ser explicado por uma razão plausível: a reposição salarial e a
retomada do poder
aquisitivo, há muito cada vez mais achatado, dos trabalhadores do
setor.
Desde a privatização das
telecomunicações no País, vivemos a mais cruel e aguda perda
crescente de salários, direitos e benefícios. Os últimos Acordos,
com muito esforço e mobilização dos Sindicatos e Categoria, sem
qualquer apoio da classe política, conseguimos abaixo de muita luta,
a manutenção de alguns direitos e uma lenta reorganização dos
trabalhadores, diante deste projeto de verdadeiro desmonte do setor,
transformando as empresas de telefonia em escritórios virtuais de
uma lucratividade estratosférica às custas do pobre usuário e do
explorado trabalhador do setor.
Portanto, é chegada a hora, no bojo
desta investida das operadoras para obtenção de um aumento das
tarifas, que os trabalhadores dos setor reivindiquem, de igual
forma, uma recuperação salarial decente e justa. Mais do que isso.
Este é o momento de iniciarmos uma Campanha de recuperação
salarial já, mesmo antes das datas-base, no final do ano. Se as
operadoras querem um aumento de tarifa agora, é justo que nossa
reposição não fique esperando, solenemente, por negociações que
vão acontecer no final deste ano.
Com a palavra, a Anatel, sob a mira
da sociedade e do Movimento Sindical Telefônico. Uma boa
oportunidade da Agência mostrar que veio para cumprir um papel
digno.
Vamos cobrar! |
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"As
operadoras querem 29% de aumento das tarifas. Só falta dizer
que estão à beira da falência e, assim, todos nós podemos morrer de
rir com a piada. O pedido à Anatel nos inspira a brigar,
mais do que nunca, por uma recuperação salarial no setor,
represada desde a privatização das telecomunicações no
País."
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