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EDITORIAL DO SINTTEL-SC
Maio de 2002

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O desmanche que não termina

Em continuação, a análise e reflexos que o desmonte da Telesc Brasil Telecom, está promovendo em sua estrutura em Santa Catarina, bem como em outras unidades de produção desta empresa nos estados onde opera a concessão pública de telefonia, não podemos deixar de nos manifestar, demonstrando, nossa absoluta e total indignação, contra os atuais controladores desta empresa, que estão pura e simplesmente, extinguindo todos os vínculos diretos com os trabalhadores, que construíram e operam a planta de telefonia, que eles adquiriram quando das privatizações.

De maneira irresponsável, senão suicida, estão terceirizando todas as atividades executadas pela empresa, perdendo total e absolutamente o controle operacional da planta em operação, colocando tudo na mão de empreiteiros, fabricantes, cooperativas ou trabalhadores autônomos, transformando a empresa em refém desta estrutura.

Caso existam incompatibilidades, sejam técnicas, estruturais ou financeiras, com os parceiros, fica a Empresa impossibilitada de manter a planta em operação, por não possuir mais um quadro técnico, capaz de atender e manter operando a vasta rede de telecomunicações existente em suas bases de operação.

Esta colocação serve apenas para alertar, as autoridades do Ministério das Comunicações e a agencia reguladora, a Anatel, além do Executivo Estadual e Legislativo federal e estaduais, sobre o risco eminente de colapso, no setor de telecomunicações, a exemplo do recém ocorrido com o setor de energia elétrica.

Serve, ainda, como um sinal vermelho, aqueles que inadvertida ou inocentemente, acreditam nas propagandas  levadas ao ar e continuam comprando os papéis que estão sendo comercializados nas bolsas de valores internas ou externas, como se a Empresa continuasse sendo um investimento de retorno garantido e de estrutura sólida.

Para nós, que somos do setor há mais de 30 anos, e que ajudamos a construir as empresas que hoje estão em operação, vemos com uma clareza monstruosa o futuro que está sendo construído para esta a Brasil Telecom.

Como já ressaltamos em documento-denúncia anterior, a atual gestão , pós privatização , só em Santa Catarina, fechou 57 agências comerciais de atendimento aos clientes da empresa. Mais do que fechar as agências, com a finalidade única de dificultar o acesso dos assinantes, a Empresa, principalmente para encaminhar suas reivindicações e reclamações, criou com uma justificativa enganosa, o novo canal de comunicação empresa/cliente o “ call center“ que, conforme o divulgado na mídia, seria a forma mais eficaz de atender todos os clientes em menor tempo e com maior eficiência, assegurando sempre que a novidade viria para melhorar a relação entre Empresa e clientes.

Mais uma vez, a empresa, intencional e propositadamente, veio a público dizer inverdades, pois, praticamente, momentos após a criação do atendimento via “call center”, a Empresa afastou definitivamente do contato com seus clientes, tendo providenciado a terceirização desta atividade, entregando para uma  outra empresa, após dezembro de 2001, o contato direto com seus clientes.

Como deboche, no dia 20 de março de 2002, os representantes da Fenattel, e dos sindicatos dos estados do Acre, Mato Grosso, Paraná e Santa Catarina, foram convidados a ir a Brasília para tomar conhecimento de alguns projetos que a Empresa estaria desenvolvendo, em busca da melhoria de seus serviços.

Quando falo em deboche, refiro-me a última parte da apresentação feita em Brasília , quando o diretor adjunto de Recursos Humanos, deu conhecimento da intenção da Empresa, de efetuar o desligamento dos empregados remanescentes da planta interna que ainda mantém vínculo empregatício com a mesma.

O diretor alegou que este processo estava sendo implementado, com empresas idôneas, que seriam os seus futuros parceiros e, por via de conseqüência, os contratantes dos trabalhadores que seriam demitidos da Brasil Telecom em toda sua área de atuação.

As tais empresas “idôneas”, conforme propostas efetuadas aos possíveis demitidos, já haviam feito propostas de salários aos técnicos que seriam contratados, com a desfaçatez de propor o pagamento de apenas 45% do salário registrada em carteira e, aproximadamente, 55% “por fora”, sem o recolhimento de todos os tributos e encargos que incidissem sobre esta parcela.

Isto, mais do que indecência é crime e, como tal, tem que ser tratado pela Justiça do Trabalho em todas suas esferas de atuação.

Isto deve ser denunciado, em alto e bom som, até para os organismos internacionais que regem as relações de trabalho pelo mundo, como OIT, pois, crime deste nível não pode mais ser suportado pelos trabalhadores, quando se sabe perfeitamente que a finalidade das reestruturações é, única e exclusivamente, para concentrar a riqueza, disseminando a miséria e estimulando a exclusão dos trabalhadores em todo o mundo pós-privatização.

Abstraindo-se dos aspectos legais que estão sendo relegados ao segundo plano, e deixando de lado as agruras que estão sendo impostas aos trabalhadores, deveremos analisar, de maneira objetiva os reflexos aos usuários deste serviço.

È preciso que as autoridades interfiram de maneira incisiva para dar um basta a este estado de desrespeito ao cidadão e ao trabalhador.

"De maneira irresponsável, senão suicida, estão terceirizando todas as atividades executadas pela empresa, perdendo total e absolutamente o controle operacional da planta em operação"