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EDITORIAL DO SINTTEL-SC
Novembro de 2005

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Deu "NÃO": o primeiro
recado das urnas!

Esta é uma avaliação inicial com percentual de erro muito pequeno.

Sob os violentos tornados e furacões de denúncias e falcatruas que cercam o Governo Federal e seus aliados no Congresso Nacional, o Referendo sobre o Desarmamento, acontecido no último dia 23 de outubro virou um instrumento de protesto da população, cansada e indignada com o comportamento dos "cavaleiros da ética" do Partido dos Trabalhadores, que se transformaram nos arautos da mais desavergonhada corrupção que já se viu na República.

O "NÃO", de quase 70 % dos votos apurados, é um recado direto ao governo e ao Congresso, no sentido de que a maioria não aceita que o Planalto atire no colo da população a responsabilidade de diminuir ou resolver o grave problema da violência e da criminalidade no Brasil.

A estratégia de buscar um referendo para minimizar as responsabilidades do Governo Federal em desenvolver uma eficiente política de segurança pública deu com os burros n'água. Antes de se esconder atrás de uma pergunta mal feita, de má fé e tendenciosa, o governo usaria melhor os 500 milhões de reais que foram queimados numa consulta popular, apresentando ao Legislativo um projeto sério de segurança, que, aliás, começa com uma boa distribuição de renda e com um enfrentamento mais corajoso com os grandes grupos transnacionais e com o sistema financeiro internacional.

Ainda embalado pelo devaneio romântico do Referendo, alguns ministros chegam a sugerir que o País faça um referendo a cada eleição à prefeito, de quatro em quatro anos. Nessa linha, muito melhor seria acabar de vez com o Legislativo, na medida em que a discussão de projetos se dará em consultas populares e não mais em casa legislativas! Era só o que faltava! Ora bolas, senhores políticos, vamos trabalhar??!! Precisamos é consertar as mazelas nacionais, sem desvios e debates secundários, que tratam da conseqüência e não das causas.

O "NÃO" inquestionável do referendo é o primeiro recado das urnas. Em 2006, quando escolheremos presidente, governadores, deputados e senadores, a conversa com o povo será ainda mais cruel com aqueles que hoje estão pescando em águas turvas e lambuzando-se com as delícias do poder.

Cuidado, senhores, o "NÃO" foi uma preliminar. Nem os artistas Globais conseguiram sensibilizar a indignação e o desgosto que vivemos. O povo não está para brincadeiras!!

"O "NÃO" inquestionável do referendo é o primeiro recado das urnas. Em 2006, quando escolheremos presidente, governadores, deputados e senadores, a conversa com o povo será ainda mais cruel com aqueles que hoje estão pescando em águas turvas e lambuzando-se com as delícias do poder.".