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Abril 2008

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A máquina
de produzir maldades

"O truque vem a galope ao completar o primeiro período estão sendo sumariamente demitidos. Profissionais com tempo de serviço não inferior a dez anos, na sua maioria com mais de 25 anos de atividade, estão sendo demitidos, no primeiro período de experiência, como se incapacitados fossem de trabalhar. Um sucateamento intolerável e disfarçado, rumo à precarização das condições de trabalho, redução de salários vantagens e benefícios, fazendo um arrocho salarial jamais visto."

O ano de 2008 marca os dez anos de privatização do setor de telecomunicações em nosso país. É inegável que a oferta de aparelhos e o atendimento à demanda existente aumentaram e quase já podemos afirmar que não há mais demanda reprimida. Estaríamos atingindo a felicidade plena nas telecomunicações, não fossem os "senões" que não podem passar despercebidos, tamanhos são as conseqüências que provocaram aos trabalhadores do setor e neste mercado de trabalho, transformando aquilo que era um sistema, numa verdadeira máquina de produzir maldades sociais e trabalhistas.

As mazelas vão longe a atinge todo tipo de indicador desalentador, senão vejamos: jamais em nossa história tivemos preço de tarifas tão elevadas como as atualmente praticadas; Também nunca tivemos um serviço de qualidade tão questionável, principalmente no atendimento aos usuários, com atendimento virtual via call center.

Vamos mais longe. Antes das privatizações nunca vimos índices de reclamação tão alarmantes; Não há precedentes de tamanho descaso de gestores, como é o caso da Brasil Telecom, na qual houve um sucateamento, sistemático, que sucatou em mais de 90% a capacitação técnica de operação e manutenção, demitindo e terceirizando as atividades vitais à manutenção da qualidade mínima necessária de prestação de serviços.

Para movimentar esta máquina de produzir horror e equívocos, a BRT mantinha a gestão dos contratos dos serviços terceirizados, os quais eram fiscalizados minimamente, numa tarefa insana, para assegurar condições razoáveis de funcionalidade. Pois bem, até estes, gestores e fiscais que acompanhavam os serviços prestados nas plantas interna e externa, estão sendo demitidos. Os desligamentos ganham um requinte de desaforo. Técnicos, conhecedores como ninguém de todos os equipamentos instalados em cada local do Estado, seriam contratados pela Alcatel, com contratos de experiência de 45 dias e mais 45 dias.

O truque vem a galope ao completar o primeiro período estão sendo sumariamente demitidos. Profissionais com tempo de serviço não inferior a dez anos, na sua maioria com mais de 25 anos de atividade, estão sendo demitidos, no primeiro período de experiência, como se incapacitados fossem de trabalhar. Um sucateamento intolerável e disfarçado, rumo à precarização das condições de trabalho, redução de salários vantagens e benefícios, fazendo um arrocho salarial jamais visto, colocando em risco, até mesmo a própria sobrevivência da Empresa ao deixar escorrer pelo ralo sua eficiência histórica no setor.

Preocupa a todos o quadro atual, de absoluta incerteza e insegurança, que pode ganhar contornos ainda mais sombrios, caso se confirme a venda da Brasil Telecom para a OI, da forma como está se anunciando. Este é um filme que já vimos em Santa Catarina. No primeiro ato a venda.

No segundo, a perda de mais postos de trabalho em função de maior centralização de atividades da Empresa compradora. Para se ter uma idéia, passados dez anos opera-se um sistema quase duas vezes maior com apenas metade dos empregados efetivos. Além disso, ensaia-se em Brasília uma alteração na Lei Geral das Telecomunicações, para facilitar a fusão das grandes operadoras de telecomunicações, o que completará a manobra, dez anos depois, transferindo o monopólio estatal dos ovos de ouro para um sistema privado. Como sempre dissemos, há uma década exata é necessário que as autoridades constituídas exijam o cumprimento da legislação trabalhista, preservando a mão de obra própria nas atividades fins destas empresas, como forma de resguardar a qualidade do sistema e proteger os usuários, acionistas e trabalhadores.

Sergio Domingues da Silva
Presidente do Sinttel-SC