A máquina
de produzir maldades |
"O truque vem a galope ao completar o primeiro período estão
sendo sumariamente demitidos. Profissionais com tempo de serviço não
inferior a dez anos, na sua maioria com mais de 25 anos de
atividade, estão sendo demitidos, no primeiro período de
experiência, como se incapacitados fossem de trabalhar. Um
sucateamento intolerável e disfarçado, rumo à precarização das
condições de trabalho, redução de salários vantagens e benefícios,
fazendo um arrocho salarial jamais visto." |
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O ano de 2008 marca os dez anos de
privatização do setor de telecomunicações em nosso país. É inegável
que a oferta de aparelhos e o atendimento à demanda existente
aumentaram e quase já podemos afirmar que não há mais demanda
reprimida. Estaríamos atingindo a felicidade plena nas
telecomunicações, não fossem os "senões" que não podem passar
despercebidos, tamanhos são as conseqüências que provocaram aos
trabalhadores do setor e neste mercado de trabalho, transformando
aquilo que era um sistema, numa verdadeira máquina de produzir
maldades sociais e trabalhistas.
As mazelas vão longe a atinge todo
tipo de indicador desalentador, senão vejamos: jamais em nossa
história tivemos preço de tarifas tão elevadas como as atualmente
praticadas; Também nunca tivemos um serviço de qualidade tão
questionável, principalmente no atendimento aos usuários, com
atendimento virtual via call center.
Vamos mais longe. Antes das
privatizações nunca vimos índices de reclamação tão alarmantes; Não
há precedentes de tamanho descaso de gestores, como é o caso da
Brasil Telecom, na qual houve um sucateamento, sistemático, que
sucatou em mais de 90% a capacitação técnica de operação e
manutenção, demitindo e terceirizando as atividades vitais à
manutenção da qualidade mínima necessária de prestação de serviços.
Para movimentar esta máquina de
produzir horror e equívocos, a BRT mantinha a gestão dos contratos
dos serviços terceirizados, os quais eram fiscalizados minimamente,
numa tarefa insana, para assegurar condições razoáveis de
funcionalidade. Pois bem, até estes, gestores e fiscais que
acompanhavam os serviços prestados nas plantas interna e externa,
estão sendo demitidos. Os desligamentos ganham um requinte de
desaforo. Técnicos, conhecedores como ninguém de todos os
equipamentos instalados em cada local do Estado, seriam contratados
pela Alcatel, com contratos de experiência de 45 dias e mais 45
dias.
O truque vem a galope ao completar o
primeiro período estão sendo sumariamente demitidos. Profissionais
com tempo de serviço não inferior a dez anos, na sua maioria com
mais de 25 anos de atividade, estão sendo demitidos, no primeiro
período de experiência, como se incapacitados fossem de trabalhar.
Um sucateamento intolerável e disfarçado, rumo à precarização das
condições de trabalho, redução de salários vantagens e benefícios,
fazendo um arrocho salarial jamais visto, colocando em risco, até
mesmo a própria sobrevivência da Empresa ao deixar escorrer pelo
ralo sua eficiência histórica no setor.
Preocupa a todos o quadro atual, de
absoluta incerteza e insegurança, que pode ganhar contornos ainda
mais sombrios, caso se confirme a venda da Brasil Telecom para a OI,
da forma como está se anunciando. Este é um filme que já vimos em
Santa Catarina. No primeiro ato a venda.
No segundo, a perda de mais postos de
trabalho em função de maior centralização de atividades da Empresa
compradora. Para se ter uma idéia, passados dez anos opera-se um
sistema quase duas vezes maior com apenas metade dos empregados
efetivos. Além disso, ensaia-se em Brasília uma alteração na Lei
Geral das Telecomunicações, para facilitar a fusão das grandes
operadoras de telecomunicações, o que completará a manobra, dez anos
depois, transferindo o monopólio estatal dos ovos de ouro para um
sistema privado. Como sempre dissemos, há uma década exata é
necessário que as autoridades constituídas exijam o cumprimento da
legislação trabalhista, preservando a mão de obra própria nas
atividades fins destas empresas, como forma de resguardar a
qualidade do sistema e proteger os usuários, acionistas e
trabalhadores.
Sergio Domingues
da Silva
Presidente do Sinttel-SC |