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Setembro de 2001

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A nossa "justiça infinita"

Em que pese o mundo estar de luto e revoltado com os atos terroristas praticados em Nova Iorque, nos Estados Unidos, matando milhares de pessoas inocentes, o episódio trouxe à baila uma antiga e sempre atual discussão a cerca da postura do que costuma-se chamar de "comunidade econômica-financeira" norte-amaricana", responsável pela condução nas políticas econômicas de, praticamente, todo o mundo.
Desde a Segunda Guerra Mundial, estamos observando, em progressão geométrica, a ascensão do império econômico dos Estados Unidos em parceiria com alguns países europeus, como a Inglaterra, França, Alemanha e até o Japão, que acabou se convertendo num clone norte-americano, desempenhando um papel tão cruel como o do seus inspiradores.
Estas potênciais econômicas, lideradas pelos Estados Unidos se transformaram nos donos absolutos da economia global, baseada numa exploração, de moldes medievais, que divide o mundo em ricos, pobres e miseráveis.
Estabeleceu-se, então, um modelo econômico global, pretensamente "moderno", onde a lógica é sustentar esta casta econômica no poder, com a precarização da qualidade de vida e o aprofundamento da miséria da grande maioria dos povos do planeta.
Como pano de fundo, agravam-se as
diferenças econômicas, políticas e sociais, com crises étnico-religiosas milenares, transformando homens e mulheres em máquinas de matar e morrer, fazendo do terrorismo a síntese animalesca de um modelo cruel e desumano.
Do alto da sua megalomania, o governo norte-americano investe pesado em sua política intervencionista, aproveitando-se da dor e da revolta do seu povo, que ainda chora suas vítimas dos ataques ao World Trade Center, para lançar ao mundo mais ódio e terror, impondo ainda maior submissão de povos.
Aos olhos do bom senso, o presidente norte-americano, em vez de convocar o mundo à guerra, como se isso fosse resolver o terrorismo, deveria comandar a "justiça infinita" para por fim à fome, a miséria e à exploração do homem sobre o homem.
Se engana o presidente Bush, quando lança a frase: "quem não está a nosso favor está a favor do terrorismo". Estamos do lado da verdadeira "justiça infinita", aquela que não oprime, nem explora povos. No mais, não estamos de lado algum. Somos assistentes tristes, de um país colonizado, testemunhas de mais uma aberração da raça humana, que prefere sangrar, matar e negar que seja um animal, minimamente, racional.

"Para Bush, justiça infinita é cuidar" do seu umbigo, esquecendo que o mundo passa fome e miséria."