Representantes do SINTTEL-SC e da FENATTEL participaram da Reunião Mundial de Telecom da UNI e da Conferência de Telecom Europa, que reuniram dirigentes sindicais de diversos países para debater temas fundamentais sobre o mundo do trabalho. Os eventos aconteceram entre 22 e 24 de abril, na cidade de Copenhague, Dinamarca.
A delegação brasileira foi composta por Rogério Soares, presidente do SINTTEL-SC; Gabriela Cordeiro, diretora do Sinttel-SC; Gilberto Dourado, presidente do SINTETEL; Cristiane do Nascimento, vice-presidenta da FENATTEL; e Divino da Silva e Fagner Tavares, do Sinttel-GO.
Principais temas debatidos
Durante os encontros, foram discutidos diversos desafios enfrentados pelos trabalhadores do setor, entre eles:
Direito à desconexão
Controle excessivo do trabalho
Condições de trabalho na era digital
Trabalho decente
Melhores condições de trabalho
Igualdade salarial para funções iguais
Controle por algoritmos
Metas abusivas
Impactos da Inteligência Artificial (IA)
Intensificação do trabalho
Decisões automatizadas, sem intervenção humana
Saúde e segurança no trabalho
Saúde mental
Casos de adoecimento e mortes relacionadas ao trabalho
Impactos na saúde dos trabalhadores
Um dos pontos de destaque foi a situação dos moderadores de conteúdo, que analisam simultaneamente diversos vídeos com conteúdos sensíveis e pesados. Essa atividade tem causado impactos significativos na saúde mental e física desses profissionais.
Diante disso, a UNI promoverá uma série de seminários para discutir medidas de proteção aos trabalhadores.
Mudanças estratégicas nas empresas
A Telefônica anunciou, em 2025, uma mudança em sua estratégia global. A empresa reduziu sua atuação em diversos países das Américas e passou a concentrar esforços na Espanha, Brasil, Alemanha e Estados Unidos.
Diante desse cenário, a FENATTEL e o SINTTEL-SC já solicitaram acesso ao plano estratégico da empresa para o Brasil, com o objetivo de analisar os impactos e defender os interesses dos trabalhadores, tanto próprios quanto terceirizados.
Pra o presidente do SINTTEL-SC, Rogério Soares, “Além da luta por melhores condições de trabalho, reajustes dignos sobre salários e benefícios, também precisamos focar no combate à precarização e fraudes trabalhistas, pois assim preservaremos não só melhores condições de trabalho, mas a saúde e a vida dos trabalhadores.”
Desafios nas negociações globais
A UNI já realizou diversas reuniões com a América Móvel (Claro) no México na tentativa de firmar um acordo global. No entanto, a empresa tem se mantido irredutível, alegando cumprir apenas as legislações locais — o que, segundo denúncias, nem sempre ocorre em todos os países.
Situação no Brasil
No Brasil, as entidades sindicais seguem mobilizadas na defesa de direitos, com destaque para:
Cumprimento da legislação sobre pagamento de periculosidade;
Garantia da liberdade sindical;
Uso de celulares particulares para atividades da empresa;
Empresas terceirizadas não estão na Convenção Coletiva; assinada com o SINTTEL-SC, tendo condições precarizadas causando prejuízos para os trabalhadores e concorrência desleal entre as empresas;
Alto custo do Plano Médico especialmente para os trabalhadores com salários mais baixos;
Fim de práticas de perseguição a dirigentes sindicais;
Importância da mobilização internacional.
Para a diretora Gabriela Cordeiro, “o fortalecimento de campanhas globais como estas, com a participação de dirigentes sindicais, são a mola propulsora para ampliar as conquistas e enfrentar os desafios comuns da categoria. O setor de telecomunicações tem papel essencial na economia e na sociedade. O trabalhadores são peças fundamentais e precisam ser reconhecidos e valorizados como tal”.