Comissão reivindica valorização salarial, escala 5×2 com 40 horas semanais e preservação de direitos. Próxima reunião está em definição.
A Comissão de Negociação da FENATTEL rejeitou a proposta apresentada pela V.tal e pela NIO durante a segunda reunião de negociação do termo aditivo ao Acordo Coletivo de Trabalho 2026/2027, realizada em 10 de setembro. Os principais impasses envolvem reajustes abaixo da inflação e mudanças nas regras de jornada, descanso e banco de horas.
O que previa a proposta rejeitada
As empresas apresentaram reajuste salarial de 2,75%, com aplicação a partir de outubro de 2026. O percentual fica 1,23 ponto percentual abaixo do INPC de 3,98% registrado na ata. A comissão reivindica a aplicação dos reajustes desde a data-base de 1º de setembro.
Entre os demais pontos da proposta estavam:
- Abono indenizatório, em parcela única, previsto para janeiro de 2027.
- VR/VA: reajuste de 2,75% para São Paulo e Rio de Janeiro e de 1,5% para as demais localidades. Nos dois casos, a aplicação seria em janeiro de 2027.
- Auxílio-creche: reajuste de 2,75%, em janeiro de 2027. Para os pais, a cobertura passaria de dois para três anos na NIO e de quatro para cinco anos na V.tal. Para as mães, permaneceria até os seis anos.
- Auxílios medicamento e filho com deficiência: reajuste de 2,75%.
Na contraproposta, a FENATTEL reivindicou reposição integral do INPC de 3,98%, acrescida de 3% de ganho real, para salários e demais benefícios econômicos, desde 1º de setembro de 2026. A comissão também cobrou reajuste para todos os empregados celetistas de V.tal e NIO, sem exclusões adicionais.
As empresas rejeitaram expressamente a reivindicação de INPC acrescido de ganho real.
O presidente do SINTTEL-SC, Rogério Soares, coordenador nacional da comissão de negociação da FENATTEL, destaca que os avanços precisam alcançar tanto a remuneração quanto a qualidade de vida da categoria.
“A proposta ainda está distante do que os trabalhadores esperam. Precisamos de valorização salarial e de uma jornada que garanta descanso efetivo. A escala 5×2, com 40 horas semanais e sem redução de salários e benefícios, significa mais tempo com a família e melhores condições para cuidar da saúde. É por essas melhorias que seguimos negociando”, afirma Rogério.
Jornada e descanso: piloto rejeitado no formato apresentado
As empresas propuseram um piloto de até 120 dias para avaliar alternativas à escala 6×1, sem compromisso de implantação definitiva. O modelo apresentado para as equipes técnicas previa trabalho de segunda a sexta-feira, alternância dos finais de semana e possibilidade de sobreaviso.
A FENATTEL rejeitou o piloto no formato apresentado e registrou que sobreaviso não deve ser considerado folga ou repouso. A comissão também defendeu o pagamento das horas trabalhadas em eventuais acionamentos, sem compensação pelo banco de horas.
Além da escala 5×2 com 40 horas semanais, a representação sindical reivindicou dois domingos de folga por mês para homens e mulheres. A comissão admitiu avaliar outro modelo de piloto, desde que assegure ganhos efetivos aos trabalhadores e preserve os intervalos de descanso.
Também foram rejeitadas as propostas de prorrogação excepcional da jornada e de intervalo para refeição superior a duas horas. A representação sindical apontou os impactos dessas medidas sobre a saúde dos trabalhadores.
Banco de horas: proposta mudava prazo e regras de compensação
As empresas propuseram unificar o banco de horas em 180 dias. Atualmente, o prazo é de 120 dias na V.tal e 240 dias na NIO.
Outra mudança seria a compensação de uma hora trabalhada por uma hora de folga, exceto em feriados. A condição atual registrada na ata prevê uma hora e 12 minutos de folga por hora trabalhada, com exceções para domingos e feriados. A proposta também estabelecia limite de 150 horas para desconto de saldo negativo.
A FENATTEL rejeitou essas alterações e reivindicou:
- Banco de horas de 120 dias para todos os empregados de V.tal e NIO;
- Manutenção das regras atuais de compensação;
- Limite de 100 horas para desconto;
- Ausência de desconto do saldo negativo na rescisão contratual, inclusive em caso de pedido de demissão.
Entre as demais reivindicações da comissão estão a extensão do auxílio-creche até os seis anos para pais e mães, uma carga adicional de VR/VA ao final do ano e dois dias por mês para acompanhamento médico dos filhos.
Próxima reunião ainda não tem data confirmada
A reunião terminou sem acordo. A FENATTEL solicitou agilidade na continuidade das tratativas e reforçou a cobrança pela manutenção da data-base de 1º de setembro para aplicação dos reajustes de salários e benefícios.
A comissão também pediu que as próximas reuniões sejam presenciais, possibilidade que será avaliada pelas empresas. A nova agenda está sendo alinhada entre as partes, ainda sem data confirmada.
O SINTTEL-SC, sindicato filiado à FENATTEL, seguirá participando das negociações e mantendo os trabalhadores informados sobre os próximos encaminhamentos.


